Viver com depressão: Uma realidade nos dias que correm

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Viver com depressão Uma realidade nos dias que correm

Autor: Alexandra Rosa

Infelizmente, viver com depressão é uma realidade cada vez mais comum nos dias que correm.

Quando um familiar tem uma doença mais visível aos olhos, como é o caso do cancro, todos se unem como forma de apoio e solidariedade.

Mas quando falamos de depressão, uma doença quase invisível aos olhos… a realidade é completamente diferente!

Para quem está “de fora” a depressão é tão somente um capricho… ou preguiça, dependendo de quem estamos a falar.

Mas, para quem vivencia diariamente esta realidade, viver com depressão é uma luta … e que não sabemos se vamos conseguir vencer.

Viver com depressão: a realidade

“O alarme do telemóvel toca em cima da mesa-de-cabeceira… novamente desde que adiei o toque por mais 10 minutos.

Salta-me um palavrão no pensamento e a frase “Estou farta” martela-me o juízo como um mantra hipnotizador.

A ideia de sair da cama, do escuro, enfrentar um duche, entrar no trânsito, trabalhar e fazer todas as minhas rotinas parece exigir de mim uma energia e vontade que não tenho.

Tudo é difícil e penoso para mim, a começar com o facto de precisar de me levantar da cama.

Quando esta dificuldade começou há alguns meses ela foi entrando de mansinho, justifiquei os sonos excessivos, as insónias, a irritabilidade e a lágrima fácil com o excesso de trabalho, o cansaço, a falta de férias…

Só que uma espiral poderosa e negra foi progressivamente puxando-me para o seu centro mais profundo, sugando cada grama da minha energia e motivação para vida.

O alarme toca novamente “Estou farta” diz o meu pensamento.

Agarro o telemóvel e faço pela primeira vez, a primeira de muitas que se seguirão, a chamada para o emprego: “Está Luísa, bom dia… Não, olha hoje não estou bem, não vou trabalhar ok?… Estou com uma terrível enxaqueca e doí-me o corpo todo (menti), devo estar a chocar alguma gripe… obrigada, beijinhos”.

Recolho à escuridão do meu quarto e ao casulo dos meus lençóis e hiberno na tentativa de simplesmente não sentir.”

É assim que um deprimido se sente, e não, não se trata de algo passageiro, nem tão pouco revela falta de vontade ou fraqueza.

Acima de tudo há que ter a consciência que a Depressão não vai passar se a ignorarmos, se formos fortes o suficiente.

A depressão é uma doença – DOENÇA que deve ser distinguida de estados de humor mais ligeiros e transitórios, como tristeza, e deve ser corretamente diagnosticada e tratada.

Quais os principais sinais da depressão?

Para quem está a começar a viver com depressão, existem vários sinais (mais ou menos óbvios) da doença. Alguns dos principais sinais incluem:

  • Estado de humor persistentemente triste
  • Perda de interesse em todas as atividades do dia-a-dia (inclusivamente naquelas que eram prazerosas)
  • Cansaço extremo e frequente
  • Alterações no sono
  • Tendência ao isolamento
  • Irritabilidade

Se estes sintomas, entre outros, perdurarem por mais de duas semanas é muito importante reconhecer a necessidade de procurar uma avaliação e tratamento especializado articulado, recorrendo a consulta de psiquiatria e consulta de psicologia em simultâneo.

Não se deixe arrastar para o interior da espiral negra que é a doença depressiva. Peça ajuda e saiba que pode voltar a ter prazer a viver os seus dias!