Começa com o desejo,  a vontade e inicia-se a esperança. Quando a esperança se materializa num teste de gravidez positivo nasce uma mãe e um pai, uma explosão de emoções antógicas que misturam alegria e receios. Tudo muda naquele instante e é o início de uma história, de um ciclo de vida.

Só que algumas destas histórias não têm o decurso ou o fim sonhado. Muitas gravidezes não evoluem e muitos pais nunca vão conhecer o rosto dos seus bebés, nunca lhes vão poder pegar ao colo, admirar o seu sorriso, alimentar ou acalmar birras.

A perda gestacional é geradora de um luto, de uma dor emocional muitas vezes incompreendida. O casal é aconselhado a esquecer, a seguir em frente e tentar de novo. Como se uma esponja ou uma borracha conseguisse apagar os afetos, a sensação de vazio, um vazio deixado por um filho que se desejou, amou, imaginou e se perdeu. Como se um outro filho substitui-se o que se foi embora.

Muitas mães contam o número de filhos na terra e o número de filhos no céu, pois esses não são nunca esquecidos.

É necessário começar a encarar a dor da perda gestacional com mais empatia e seriedade. A dor não se sacode ou se esquece. Perante um casal que vê o seu projeto de parentalidade abruptamente interrompido, é necessário ouvir e compreender, dar colo às emoções e por vezes, quando a dificuldade em lidar com a perda é imensa, é necessário procurar apoio psicológico.

É muito importante que o luto evolua e se desenvolva de forma saudável. Nunca esquecemos quem parte, a falta nunca se vai embora, mas a angústia vai-se apaziguando. Apazigua-se com o tempo e com as lágrimas, com compreensão, com entendimento e com escuta.

Só depois, e se for esse o momento, a vontade e o desejo se poderá voltar a ter esperança e a desejar mais um filho. Mais um…. porque o lugar do filho céu ninguém ocupa.

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