Doença de Parkinson: Uma doença degenerativa cada vez mais comum

 

A doença de Parkinson é uma doença progressiva e degenerativa do sistema nervoso central. A mesma é caracterizada pela presença da tríade:

  • Tremor
  • Rigidez
  • Bradicinesia (dificuldade em iniciar o movimento e/ou lentidão anormal dos movimentos voluntários), à qual surge associado o distúrbio de postura e marcha

Estima-se que em 2019 cerca de 20.000 portugueses sofram desta doença, com um aumento de mais de 1.800 casos por ano.

A par do envelhecimento generalizado da população, estima-se que nos próximos 20 anos o número de pessoas com esta patologia seja quase o dobro dos dias de hoje.

Embora seja uma patologia que ainda não tem cura, existem tratamentos cada vez mais promissores.

Mas para isso é essencial que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível. Assim, perceber quais as manifestações pode ser uma forma de diagnóstico precoce.

Doença de Parkinson: Quais as manifestações?

Existem algumas manifestações que são comuns a praticamente todos os doentes. Assim, para além das alterações motoras, são comuns:

  • Transtornos emocionais e cognitivos (depressão e ansiedade, lentificação do pensamento, problemas de sono, alucinações e psicoses…)
  • Sintomas sensitivos e alterações autonómicas (dores, seborreia, impotência sexual, problemas urinários…)
  • Dificuldades comunicativas (hipomimia – falta de expressão facial, hipofonia – baixo tom de voz, sialorreia, micrografia – letra pequena…)

Na doença de Parkinson é comum existirem alterações de fala, caracterizadas por uma Disartria Hipocinética.

Observa-se uma perda da entoação melódica, uma fala monótona e com intensidade baixa e uma produção de palavras variável.

Isto é, algumas são produzidas de forma precipitada enquanto outras são produzidas lentamente com silêncios inapropriados e às vezes com repetição de fonemas e/ou sílabas.

Os indivíduos com esta problemática podem perder também a capacidade de imitar modelos de entoação e coordená-los com a expressão facial apropriada.

Na mastigação e deglutição, as alterações que se podem observar nas pessoas com doença de Parkinson vão desde:

  • Movimento atípico e trémulo da língua
  • Acúmulo de alimento nos recessos laríngeos por alteração do peristaltismo faríngeo
  • Sensação de alimento parado na faringe
  • Disfunção do músculo cricofaríngeo (esfíncter esofágico superior)

A disfagia (alteração da deglutição) está presente em cerca de 50% dos indivíduos com doença de Parkinson em fases mais avançadas.

Quem é atingido por esta patologia?

Mundialmente atinge cerca de 1 a 2 pessoas em cada 1000.

Surge geralmente no final da meia idade, tendo o seu início, tipicamente, por volta dos 60 anos. Contudo em cerca de 5% dos casos a doença tem início precoce, surgindo antes dos 40 anos.

É ligeiramente mais frequente em homens do que em mulheres.

Quais as causas mais comuns para a doença?

A etiologia desta doença ainda é desconhecida.

Observa-se a ocorrência da destruição dos corpos celulares que contêm melanina da substância cinzenta do Mesencéfalo e estruturas do Tronco Cerebral (bulbo, ponte e mesencéfalo), levando a um défice de dopamina.

Níveis baixos de dopamina, enquanto neurotransmissor que facilita o fluxo dos impulsos para os neurónios, levam a dificuldades no controlo do tónus e movimento muscular, afetando os músculos quer em repouso quer em atividade.

Investigadores da Universidade de Coimbra demonstraram que a doença de Parkinson poderá resultar de uma disfunção mitocondrial (organelo responsável pela produção de energia nas células), que torna deficitário o tráfego intracelular.

Sandra Morais Cardoso (líder do grupo de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular) disse que “a disfunção mitocondrial é o evento que está na base da deficiente autofagia, o mecanismo através do qual ocorre a degradação de organelos disfuncionais e de proteínas danificadas“.

A autofagia é o processo que elimina o lixo biológico que se cria ao longo do envelhecimento, e cuja perturbação leva à acumulação de resíduos, provocando a morte da célula.

Alguns estudos apontam a existência de fatores ambientais e a hereditariedade como fatores desencadeantes da doença.

A taxa de incidência mais alta em áreas rurais onde as pessoas bebem água vinda de poços, mostra uma possível correlação com certas toxinas ambientais, como os pesticidas.

Relativamente à hereditariedade, a maioria dos estudos não encontra relação genética.

Quais são os tratamentos existentes? O Parkinson tem cura?

O tratamento curativo não existe, mas os sintomas podem ser controlados com recurso a diversos tipos de medicação e associados a um estilo de vida saudável com exercício físico regular e dieta equilibrada.

Deste modo é possível melhorar substancialmente a qualidade de vida destes pacientes.

Para além do seguimento médico por neurologista, o doente de Parkinson poderá beneficiar, de acordo com os seus sintomas específicos, de acompanhamentos de fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e psicologia (reabilitação cognitiva e/ou ajuda emocional).

Na área da Terapia da Fala, a reabilitação passa por questões de melhoramento das:

  • Alterações da motricidade orofacial
  • Mastigação e deglutição
  • Alterações da voz/fala

Exercícios musculares, sugestões para a realização das várias funções orais, adequação da sensibilidade orofacial, modificação das consistências dos alimentos e a terapia de voz LSVT (Lee Silvermann Voice Treatment), são algumas das possibilidades de terapêutica dentro da Terapia da Fala.

O LSVT proporciona a maximização da atividade esfincteriana da laringe, promove a intensidade vocal através da premissa: “Pense forte, Fale forte” e a melhoria da qualidade vocal.

Para além disto, os seus efeitos estendem-se às questões da alimentação com a modificação da fase oral e faríngea da deglutição.

A mesma modifica o desempenho motor oral e proporciona uma mudança favorável do tempo de trânsito oral. Ou seja, do tempo entre a captação completa do alimento até ao disparo do reflexo de deglutição.

Resumidamente a Doença de Parkinson não tem cura. No entanto, os tratamentos atuais permitem um controlo muito mais eficaz, melhorando todos os aspetos da vida dos doentes.

 

Bibliografia

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www.parkinson.pt