Viver com depressão

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Autor: Alexandra Rosa

O alarme do telemóvel toca em cima da mesa-de-cabeceira…novamente desde que adiei o toque por mais 10 minutos. Salta-me um palavrão no pensamento e a frase “Estou farta” martela-me o juízo como um mantra hipnotizador. A ideia de sair da cama, do escuro, enfrentar um duche, entrar no trânsito, trabalhar e fazer todas as minhas rotinas parece exigir de mim uma energia e vontade que não tenho. Tudo é difícil e penoso para mim, a começar com o levantar da cama. Quando esta dificuldade começou há alguns meses ela foi entrando de mansinho, justifiquei os sonos excessivos, as insónias, a irritabilidade e a lágrima fácil com o excesso de trabalho, o cansaço, a falta de férias. Só que uma espiral poderosa e negra foi progressivamente puxando-me para o seu centro mais profundo, sugando cada grama da minha energia e motivação para vida. O alarme toca novamente “Estou farta” diz o meu pensamento, agarro o telemóvel e faço pela primeira vez, a primeira de muitas que se seguirão, a chamada para o emprego: “Está Luísa, bom dia … Não, olha hoje não estou bem, não vou trabalhar ok? …. Estou com uma terrível enxaqueca e doí-me o corpo todo (menti), devo estar a chocar alguma gripe… obrigada, beijinhos”. Recolho à escuridão do meu quarto e ao casulo dos meus lençóis e hiberno na tentativa de simplesmente não sentir.

É assim que um deprimido se sente, e não se trata de algo passageiro, nem tão pouco revela falta de vontade ou fraqueza. Acima de tudo há que ter a consciência que a Depressão não vai passar se a ignorarmos, se formos fortes o suficiente. A depressão é uma doença – DOENÇA  que deve ser distinguida de estados de humor mais ligeiros e transitórios como tristeza e deve ser corretamente diagnosticada e tratada.

Alguns dos principais sinais incluem um estado de humor persistentemente triste, perda de interesse em todas as atividades do dia-a-dia (inclusivamente naquelas que eram prazerosas), cansaço, alterações no sono, tendência ao isolamento e irritabilidade. Se estes sintomas, entre outros, perdurarem por mais de duas semanas é muito importante reconhecer a necessidade de procurar uma avaliação e tratamento especializado articulado, recorrendo a consulta de psiquiatria e consulta de psicologia em simultâneo. Não se deixe arrastar para o interior da espiral negra que é a doença depressiva, peça ajuda e saiba que pode voltar a ter prazer a viver os seus dias!