Perturbação da comunicação e da relação

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Autor: Terapeuta da Fala Rita Costa

Foi uma mãe que me levou a escrever hoje, porque sei que as suas preocupações são as de muitos pais e por isso quero partilhar estes pensamentos… Falo-vos da perturbação da comunicação e da relação, um”rótulo” que muito preocupa pais e educadores…

Trata-se de uma perturbação na capacidade de comunicar e de se relacionar com os outros, que pode ser mais ou menos grave. Enquanto terapeuta da fala, posso dizer que crianças com este “rótulo” me surgem sensivelmente a partir dos 2 anos de idade, quando as famílias destas crianças começam a perceber que algo não está bem, normalmente por ainda não terem desenvolvido a fala… Depois é a altura em que nós, terapeutas da fala, no caso de ainda não haver acompanhamento sugerimos outros médicos e técnicos especializados para que, em conjunto, possamos oferecer à criança maiores possibilidades de evoluir positivamente… O acompanhamento adequado por parte de vários técnicos é fundamental, é preciso avaliar o desenvolvimento, apoio de terapia da fala, de ensino especial…

E afinal de que depende uma evolução positiva? Da própria criança, dos técnicos que com ela trabalham e mais importante ainda: dos familiares que a rodeiam.

Ter expectativas negativas e desanimar é o primeiro passo para que a evolução não seja a desejada… Aos familiares peço: acreditem na vossa criança, tenham força, não desanimem mesmo quando os resultados tardam em aparecer, falem muito com os técnicos que lidam com a criança e exponham os vossos medos e angústias. Todos, em conjunto, procurem a melhor forma de fazer a vossa/nossa criança desenvolver-se adequadamente!

Uma outra questão que não posso deixar de abordar, e que é tantas e tantas vezes colocada, é a possível relação deste quadro com o autismo. Ora, uma perturbação da comunicação e relação pode, de facto, vir a confirmar-se como sendo um quadro de autismo mas também pode não o ser. É a evolução da criança que fará perceber qual o verdadeiro diagnóstico. Já falei de autismo com o intuito de deixar bem claro que o termo engloba todo um conjunto de perturbações com diversos graus de gravidade. O que eu gostava era que o autismo deixasse de ter uma conotação tão negativa na nossa sociedade, porque não há motivo para que assim seja, por exemplo temos crianças com o Síndrome de Asperger (que faz parte do espectro do autismo) em que mal se notam diferenças em relação às outras crianças.

A perturbação da comunicação e da relação não tem que ser exactamente um quadro de autismo, mas… e se for? Que diferença faz a nomenclatura? Temos que pensar nas nossas crianças com as suas características únicas e com as suas necessidades de acompanhamento para que possam evoluir e não em rótulos… Eu nunca trabalho com autistas, mas sim com crianças especiais que precisam do meu apoio e do de outros técnicos para assim poderem evoluir positivamente.