O espectro do autismo

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Artigo publicado na revista ABCriança

Autor: Terapeuta da Fala Rita Costa

Neste mês em que se comemora o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo (2 de Abril) coloca-se a questão: afinal o que é o autismo? Quais são os traços que o caracterizam?

Devido às diversas manifestações comportamentais com diferentes graus de intensidade e severidade que encontramos nas crianças com autismo, Wing (1988) propôs a introdução do conceito “Espectro do Autismo” que abrange vários tipos, cada um com traços característicos. Contudo, dentro de cada tipo podemos encontrar comportamentos muito diferentes, ou seja, não há um padrão único que caracterize a pessoa com autismo! Mais importante do que atribuir um rótulo (saber que se trata de um autismo e que é do tipo a, b, c, d ou e) é identificar as características específicas daquela criança, pois é com base nelas que intervimos e só assim conseguiremos resultados verdadeiramente positivos!

Autismo clássico ou Sindroma de Kanner

• Contacto visual reduzido;
• Estereotipias verbais e comportamentais;
• Marcada resistência à mudança;
• Procura constante de isolamento;
• Especial interesse por determinados objectos e comportamentos.

Síndroma de Asperger

• A comunicação é menos afectada que no autismo clássico e até habitual que a linguagem se desenvolva precocemente.
• O quociente de inteligência (Q.I.) é mais elevado do que no autismo clássico.

Perturbação desintegrativa da infância

• A criança apresenta um desenvolvimento normal até cerca dos 2 a 4 anos de idade, aparecendo, posteriormente, de forma gradual, graves sintomas de autismo.
• Perda significativa de aptidões anteriormente adquiridas (em pelo menos dois dos seguintes domínios: aptidões sociais, aptidões motoras, linguagem e controlo dos esfíncteres) e a perturbação em pelo menos dois dos três domínios da tríade (comunicação, interacção social e uso da imaginação).

Autismo atípico

• As características observadas não correspondem na totalidade ao Autismo clássico ou ao Síndroma de Asperger ou à Perturbação desintegrativa da infância.

Traços de autismo

• Neste grupo incluem-se as pessoas que não se enquadram no Autismo clássico, Síndroma de Asperger, Perturbação desintegrativa da infância ou Autismo atípico e manifestam pelo menos três sinais (o défice de atenção é um exemplo) que não correspondem a estes critérios.

Mais importante do que rotular é perceber os pontos fortes da criança com autismo e a partir deles ajudá-la a desenvolver os seus pontos fracos dando-lhe todos os apoios para que tal aconteça: um bom acompanhamento de pedopsiquiatra/pediatra de desenvolvimento e de outros técnicos de acordo com as suas necessidades (terapeuta da fala, psicólogo, terapeuta ocupacional…)!