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Autor: Psicóloga Sandra Alves

O Bullying é uma forma de agressão que se caracteriza pela existência dum padrão de ações violentas frequentes dum agressor sobre uma vítima (Besag, 1989; Olweus, 1991). Nesta relação, o agressor faz uso do seu poder de modo a intimidar a vítima (Smith & Sharp, 1994).

Tipos de Agressão

Que comportamentos caracterizam o Bullying?

Existem diferentes formas de se exercer o bullying:

– Agressão física (por ex.: empurrar, bater, destruir bens da vítima, assaltar, etc.)
– Agressão verbal (por ex.: gozar, chamar nomes, espalhar rumores injuriando a vítima, etc.)
– Exclusão social (por ex.: impedir a participação da vítima em actividades de grupo, ignorá-la, etc.)
– Intimidação emocional (por ex.: fazer ameaças à vítima, que comprometem o seu bem – estar e/ou o da sua família, etc.)

O Agressor: Quem é?

– Os agressores são maioritariamente rapazes, podendo atuar sozinhos ou em grupo.
– Normalmente, partilham a mesma faixa etária da vítima, embora possam ser mais velhos.
– Verifica-se que os agressores são muitas vezes da mesma turma que a vítima, e conhecem-na bem.
– As agressões ocorrem maioritariamente no interior da escola (com maior frequência no recreio, seguindo-se os corredores, salas de aula, refeitório e casas de banho), ou no caminho para a escola.

O Perfil do Agressor

1. O Agressor não valoriza os sentimentos dos outros.
2. Maltrata as vítimas, retirando daí um grande prazer.
3. É egoísta.
4. Tem frequentemente poucos amigos.
5. Não respeita a autoridade.
6. Quer deter sempre o controlo de todas as situações.
7. Goza e humilha os outros, incluindo crianças mais pequenas.
8. Envolve-se em conflitos.
9. São muitas vezes crianças que provêm de famílias problemáticas, onde recebem pouco carinho e atenção.

(Smith & Hoover, 1999)

Porquê o meu filho?

– Qualquer criança pode ser uma vítima.
– Têm sido identificadas várias motivações dos agressores na escolha das suas vítimas:
– Aparência física frágil
– Temperamento tímido ou introvertido, que não oferece resistência às agressões
– Sensibilidade
– Roupa
– Excesso de peso
– Bom desempenho académico
– Grupo de amigos
– Religião
– Ser portador de deficiência física ou psicológica, ou doença crónica

Efeitos das Agressões nas Vítimas de Bullying

As crianças vítimas de agressões, podem ter problemas a vários níveis da sua vida:

– Académico: As vítimas evitam ir à escola, perdem a motivação pelas aprendizagens escolares, o que as leva a um pior desempenho escolar.
– Emocional: As crianças apresentam frequentemente problemas de ansiedade e depressão. Começam a apresentar uma baixa auto-estima, encarando-se a si mesmas como não tendo valor ou sendo inferiores.
– Social: São muitas vezes rejeitadas pelos seus colegas, que receiam que a proximidade às vítimas lhes venha trazer problemas. Isolam-se frequentemente dos familiares, possuindo assim uma fraca rede de suporte.
– Saúde física: Podem desenvolver dores de cabeça, dores de estômago ou outros sintomas físicos para lidarem com o stress. Nos casos mais graves, as crianças vítimas de bullying podem encarar o suicídio como único meio de fuga.

(Mishna & Alaggia, 2005)

Algumas crianças começam a acreditar que merecem ser agredidas. Com o decorrer do tempo, uma pessoa vítima de bullying pode desenvolver uma mentalidade de vítima, o que mantém o ciclo de agressões.
(Craig & Pepler, 2000).

O Bullying é um problema grave!

– É um erro sobrestimar qualquer forma de mau trato!
– Se o vosso filho vos confessar que está a ser vítima de bullying, acreditem nele.
– O primeiro passo é pedir ajuda!

Contar aos outros: para o melhor e para o pior

– “(…) Os bullies dependem do nosso medo, do nosso silêncio e da nossa impotência para continuarem o seu comportamento(…)” (Amorim, 2008)
– Vários estudos têm defendido que a partilha de informação referente à agressão por parte da vítima é essencial para que possa receber todo o suporte e proteção necessários (Gries, 1996).
– Além de aumentar a rede de suporte da criança, contar aos outros permite diminuir a ansiedade e os sentimentos de culpa frequentemente associados à agressão (Mishna & Alaggia, 2005).
– Possibilita ainda o aumento da vigilância face à situação de abuso.

O meu filho não me conta o que se passa:

Será que confia em mim?

– As vítimas de bullying tendem a antecipar mais prejuízos que benefícios, na revelação das agressões.
– Têm sido identificados vários fatores que parecem explicar a dificuldade tida pelas crianças em contar a pais ou professores que estão a ser vítimas de maus tratos, designadamente:
– Receio que contar a situação a adultos venha piorar a situação
– Medo de sofrer represálias por parte dos agressores
– Crença de que os adultos não acreditarão nelas, pelo que não vale a pena contar
– Crença de que os adultos não têm poder para resolver a situação
– Crença de que são responsáveis pela situação de abuso e que deverão resolver a situação sozinhas
– Marcada ansiedade, insegurança e isolamento que dificultam a revelação.

Como posso saber se o meu filho é uma vítima?

Esteja atento (a) a alguns sinais que poderão denunciar situações de maus tratos:

– Queixas frequentes de dores de cabeça, dores de estômago, etc.;
– Súbitas alterações de comportamento (roer as unhas, tiques, problemas de sono, depressão, perda de apetite, choro, pesadelos, gaguez, enurese noturna, etc.);
– Parece ansioso, amedrontado, mal-humorado, triste, recusa dizer o que não está bem;
– Não quer ir para a escola;
– Altera o seu percurso para a escola, quer mudar de autocarro, pede que o levem de carro para a escola;
– Vem da escola com aranhões, nódoas negras, roupas estragadas ou outros pertences estragados, sem ter uma explicação óbvia para isso;
– Os seus pertences estão frequentemente danificados;
– Pede, com frequência, mais dinheiro;
– Repentina perda de interesse nos trabalhos de casa e no desempenho académico;
– Tem poucos ou nenhuns amigos, raramente é convidado para festas ou outros eventos sociais;
– Parece preocupado/tenso aos domingos, antes do primeiro dia de escola;
– Mostra-se obcecado acerca da sua altura, peso, aparência física, vestuário, etc.;
– Diz que vai fugir de casa;
– Diz que vai suicidar-se.

A Revelação

– Mantenha uma relação de confiança, aceitação e proximidade, de modo a que o seu filho lhe fale abertamente das agressões de que é vítima. Evite solicitar-lhe informações sob pressão.
– Ouça atentamente o seu filho! Lembre-se que “nós nascemos com uma boca e duas orelhas, porque ouvir é duas vezes mais difícil do que falar”. Deve:
– Prestar atenção e não falar
– Estabelecer e manter contacto visual
– Ser paciente
– Diga-lhe que o vai tentar ajudar, mas não lhe dê garantias duma solução imediata!
– Torne claro que o bullying nunca é causado pela vítima.
– Diga-lha que:
1. Ele não tem culpa de estar a ser vítima de agressões;
2. Ele não estava a “pedi – las”;
3. Ele não merece o que lhe está a acontecer;
4. Ele não faz nada para o causar;
5. O bullying não está certo;
6. Não está certo agredir outras crianças;
7. Ele não tem de enfrentar esta situação sozinha;
– Lembre-se sempre que o sofrimento do seu filho é superior a qualquer forma objetiva de ver e perceber a situação;
– Não tente ver o problema do seu filho pela sua perspetiva, compreenda-o simplesmente!

O que fazer?

• Contacte o professor do seu filho o mais rapidamente possível. Peça-lhe para marcar um encontro privado (sem alunos por perto e, se possível, sem o conhecimento de quaisquer alunos para além do seu filho). Diga-lhe que pretende que:
• – Estejam previstas consequências disciplinares para os agressores;
• – O professor o mantenha informado acerca das acções empreendidas.
• Explique-lhe como deve reagir, sem chorar nem mostrar transtorno, mas simplesmente ignorando o/a intimidador/a.
• Nunca o incentive à agressão!
• Ajude o seu filho a desenvolver competências de resistência ao bullying. Faça com ele pequenas representações de situações de bullying que lhe permitam aprender o que dizer quando for importunado. Por exemplo:
• – Endireita o teu corpo, olha o agressor nos olhos e diz de uma forma firme e confiante ” Deixa-me em paz” ou “Pára com isso!”
• – Permanece calmo e afasta – te do local. Dirige-te a um lugar onde se encontrem muitas pessoas ou para junto de um grupo de amigos teus.
• – Se sentires que estás numa situação de perigo real foge tão rapidamente quanto possível.
• Se o seu filho for ameaçado, deve entregar aquilo que o agressor quer e falar com um adulto de imediato. Não levar objetos de valor para a escola diminui as probabilidades de intimação.
• Se o seu filho parece não ter amigos, procure que ele se junte a grupos sociais, clubes ou organizações que vão ao encontro dos seus interesses. Isso irá promover a auto – confiança do seu filho e desenvolver mais competências sociais. Crianças confiantes têm menor probabilidade de serem alvo de comportamentos violentos.
• Envolva-se na vida escolar do seu filho e siga de perto a evolução dos acontecimentos.
• Se necessário, solicite um acompanhamento psicológico.
• Promova actividades positivas com o seu filho.

Experimente esta atividade com o seu filho!

Construa com o seu filho um cartaz com mensagens positivas, lembrando-lhe os seus direitos e qualidades. Por exemplo:

“Eu sou uma boa pessoa”

“Eu sou especial e único”

“Eu mereço ser tratado com amabilidade e respeito”

Coloque este cartaz num sítio visível do seu quarto, aumentando a auto – estima e confiança do seu filho!

Aconselhamento Psicológico: Objetivos

– As intervenções psicológicas com a vítima assentam no pressuposto de que o agressor tende a repetir as agressões pelas respostas que nela provoca (por ex. lutar ou chorar).
– Com frequência, a agressão verbal antecede a violência física.
– Se a vítima não responder ao agressor, o comportamento agressivo tenderá a extinguir-se.
– Aumentar a auto – estima da vítima
– Adquirir competências de assertividade (afirmação dos direitos pessoais)
– Adquirir competências sociais (por ex. fazer mais amigos, adquirindo assim uma rede de suporte mais alargada que lhe permite sentir-se e estar mais protegido/a)

(Fox & Boulton, 2003)