As dificuldades de aprendizagem

Tem trissomia 21… E agora?
29/04/2017
O espectro do autismo
29/04/2017

Autor: Terapeuta da Fala Rita Costa

Actualmente muito se fala acerca de dificuldades de aprendizagem. Em Portugal temos cerca de 5 a 10% dos alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, o que representa cerca de 75000 alunos, dos quais 2/3 são rapazes. Mas afinal o que se entende por dificuldades de aprendizagem?

A definição não é fácil nem consensual mas, de acordo com National Joint Committeee on Learning Distabilities (1994), as dificuldades de aprendizagem:

• Manifestam-se por dificuldades na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas;
• São intrínsecas ao indivíduo, devem-se provavelmente a disfunções do sistema nervoso central e podem verificar-se ao longo da vida;
• Podem ocorrer juntamente com condições desvantajosas ou com influências extrínsecas, mas não são resultado dessas condições ou influências.

Dificuldades de Aprendizagem Primárias e Secundárias

Dificuldades de Aprendizagem Primárias:

• Não se identifica uma causa orgânica específica.
• Perturbações na aquisição da linguagem falada (receptiva e expressiva), linguagem escrita (receptiva e expressivas) e linguagem quantitativa.
• O potencial sensorial (relacionado com os sentidos), intelectual, motor e social são normais.
• As perturbações dependem de alterações mínimas, tão mínimas que não são detectadas pelos exames médicos (pediátricos, neurológicos, psiquiátricos…) ou psicológicos (clínicos, pedagógicos…).

Dificuldades de Aprendizagem Secundárias:

• Resultam de condições, desordens, limitações ou deficiências devidamente diagnosticadas (deficiências visual, auditiva, mental, motora, emocional ou privação cultural).
• Perturbações secundárias na aquisição da linguagem falada (receptiva e expressiva), linguagem escrita (receptiva e expressivas) e linguagem quantitativa.
• O potencial sensorial, intelectual, motor e social são diferentes da normalidade.
• As perturbações dependem de deficiências sensoriais, neurológicas, psíquicas ou ambientais (privação cultural, desvantagem sócio-económica, malnutrição, envolvimento afectivo, estimulação precoce…).

O que fazer?

É fundamental procurar uma avaliação especializada (médica – neuropediatra, pedopsiquiatra… e técnica – psicólogo, terapeuta da fala, terapeuta ocupacional, professor de ensino especial…) que irá permitir definir adequadamente que apoios poderão ajudar a criança a colmatar as suas dificuldades.