A perda de um animal de estimação ajuda as crianças a perceberem o que é a morte

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Artigo publicado na Revista Crescer

Entrevista à Psicóloga Carla Pereira

Não é fácil lidar com a morte. Nem para os adultos e muito menos para as crianças. Mas algum dia os pais terão de abordar este tema com os filhos. Há quem diga que a perda de um animal de estimação prepara de alguma forma os mais pequenos para esta temática.

O site Crescer quis perceber de que maneira poderão os pais ajudar os filhos a adaptarem-se à perda significativa de alguém especial. É fundamental saberem lidar com isto, porque muitas vezes a dificuldade que os adultos manifestam em abordar o tema da morte reflete-se na forma como preparam as crianças para esta realidade.

A psicóloga Carla Pereira do projeto Fale Connosco, Saúde Personalizada, explicou-nos a importância do processo de luto e dos próprios rituais fúnebres quando morre o cão do seu filho, ou o gato, o piriquito, o peixe ou a tartaruga. Qualquer que seja a mascote da casa, vai ser doloroso a criança perceber que nunca mais poderá brincar nem partilhar bons momentos com o animal.

«A perda do animal de estimação pode ser um evento igualmente difícil para a criança, pois representa uma perda que, mediante a ligação afetiva que esta tinha com o animal, se pode revelar muito difícil de superar. O processo de luto pode assumir contornos muito semelhantes ao luto pela morte de uma pessoa, havendo aspetos similares em ambas as perdas», começa por explicar a psicóloga, sublinhando a importância da intervenção dos adultos neste processo.

«Os adultos devem estar preparados para dar resposta às questões e dúvidas da criança e validar os seus sentimentos (tristeza, zanga, revolta, etc.). Quando a morte do animal é expectável, é importante preparar a criança para a perda. Explicando-lhe a situação de saúde do animal e o que irá acontecer, envolvendo-a neste processo de despedida. Poderão surgir por parte da criança sentimentos de responsabilização e culpabilização, que deverão ser desmistificados pelos adultos.»

Segundo Carla Pereira, é importante encarar o acontecimento e prepará-la para o luto. «Para ajudar a superar a perda, o adulto poderá preparar com a criança um ritual fúnebre, de despedida, e permitir que esta guarde um objeto simbólico que perpetue a memória do seu animal», exemplifica.

Fazer o luto é importante. E não tenha pressa em arranjar outro animal, segundo a psicóloga. «É fundamental respeitar os sentimentos e o ‘espaço’ da criança, permitindo que esta se expresse abertamente relativamente à perda. Após a morte do seu animal de estimação, não é aconselhável que se promova uma nova relação com outro animal de estimação antes que a criança ultrapasse o sentimento de perda e conclua o processo de luto», diz.