A doença de Parkinson

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Autor: Terapeutas da Fala Andreia Batista  e Rita Costa

Assinalando o Dia Mundial da doença de Parkinson, hoje falamos um pouco sobre esta doença…

Parkinson’s image courtesy of David Castillo Dominici at FreeDigitalPhotos.net

O que é?

A doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central e caracteriza-se pela presença da tríade tremor, rigidez e bradicinésia (dificuldade em iniciar o movimento e/ou lentidão anormal dos movimentos voluntários), à qual surge associado o distúrbio de postura e marcha.

Quais as manifestações?

Para além das alterações motoras são comuns transtornos emocionais e cognitivos (depressão e ansiedade, lentificação do pensamento, problemas de sono, alucinações e psicoses…), sintomas sensitivos e alterações autonómicas (dores, seborreia, impotência sexual, problemas urinários…) e dificuldades comunicativas (hipomimia – falta de expressão facial, hipofonia – baixo tom de voz, sialorreia, micrografia – letra pequena…).

Na doença de Parkinson é comum existirem alterações de fala, caracterizadas por uma Disartria Hipocinética. Observa-se uma perda da entoação melódica, uma fala monótona e com intensidade baixa, uma produção de palavras variável, isto é, algumas são produzidas de forma precipitada enquanto outras são produzidas lentamente com silêncios inapropriados e às vezes com repetição de fonemas e/ou sílabas. Os indivíduos com esta problemática podem perder também a capacidade de imitar modelos de entoação e coordená-los com a expressão facial apropriada.

Na mastigação e deglutição, as alterações que se podem observar nas pessoas com doença de Parkinson vão desde o movimento atípico e trémulo da língua, o acúmulo de alimento nos recessos laríngeos por alteração do peristaltismo faríngeo, sensação de alimento parado na faringe e à disfunção do músculo cricofaríngeo (esfíncter esofágico superior), entre outras. A disfagia (alteração da deglutição) está presente em cerca de 50% dos indivíduos com doença de Parkinson em fases mais avançadas.

Quem atinge?

Mundialmente atinge cerca de 1 a 2 pessoas em cada 1000.

Surge geralmente no final da meia idade, tendo o seu início, tipicamente, por volta dos 60 anos, contudo em cerca de 5% dos doentes a doença tem início precoce, surgindo antes dos 40 anos.

É ligeiramente mais frequente em homens do que em mulheres.

O que a causa?

A etiologia desta doença ainda é desconhecida. Observa-se a ocorrência da destruição dos corpos celulares que contêm melanina da substância cinzenta do Mesencéfalo e estruturas do Tronco Cerebral (bulbo, ponte e mesencéfalo), levando a um défice de dopamina. Níveis baixos de dopamina, enquanto neurotransmissor que facilita o fluxo dos impulsos para os neurónios, levam a dificuldades no controlo do tónus e movimento muscular, afetando os músculos quer em repouso quer em atividade.

Investigadores da Universidade de Coimbra demonstraram que a doença de Parkinson poderá resultar de uma disfunção mitocondrial (organelo responsável pela produção de energia nas células), que torna deficitário o tráfego intracelular. Sandra Morais Cardoso (líder do grupo de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular) disse que “a disfunção mitocondrial é o evento que está na base da deficiente autofagia, o mecanismo através do qual ocorre a degradação de organelos disfuncionais e de proteínas danificadas“. A autofagia é o processo que elimina o lixo biológico que se cria ao longo do envelhecimento, e cuja perturbação leva à acumulação de resíduos, provocando a morte da célula.

Alguns estudos apontam a existência de fatores ambientais e a hereditariedade como fatores desencadeantes da doença. A taxa de incidência mais alta em áreas rurais onde as pessoas bebem água vinda de poços mostram uma possível correlação com certas toxinas ambientais, como os pesticidas. Relativamente à hereditariedade, a maioria dos estudos não encontra relação genética.

Como tratar?

O tratamento curativo não existe mas os sintomas podem ser controlados com recurso a diversos tipos de medicação e associados a um estilo de vida saudável com exercício físico regular e dieta equilibrada, melhorando assim substancialmente a qualidade de vida destes pacientes.

Para além do seguimento médico por neurologista, o doente de Parkinson poderá beneficiar, de acordo com os seus sintomas específicos, de acompanhamentos de fisioterapia, terapia da fala, terapia ocupacional e psicologia (reabilitação cognitiva e/ou ajuda emocional).

Na área da Terapia da Fala, a reabilitação passa por questões de melhoramento das alterações da motricidade orofacial, da mastigação e deglutição e das alterações da voz/fala. Exercícios musculares, sugestões para a realização das várias funções orais (respiração, mastigação, deglutição e fala), adequação da sensibilidade orofacial, a modificação das consistências dos alimentos e a terapia de voz LSVT (Lee Silvermann Voice Treatment), são algumas das possibilidades de terapêutica dentro da Terapia da Fala. O LSVT proporciona a maximização da atividade esfincteriana da laringe, promove a intensidade vocal através da premissa: “Pense forte, Fale forte” e a melhoria da qualidade vocal. Para além disto, os seus efeitos estendem-se às questões da alimentação com a modificação da fase oral e faríngea da deglutição, modifica o desempenho motor oral e proporciona uma mudança favorável do tempo de trânsito oral (tempo entre a captação completa do alimento até ao disparo do reflexo de deglutição).

Bibliografia

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www.parkinson.pt