A ajuda da família no processo terapêutico

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Autor: Terapeuta da Fala Rita Pereira

Artigo publicado em Estrelas e Ouriços

Se existe algo ou alguém em que podemos depositar toda nossa confiança, é na nossa família. Ela mostra-nos o que é certo, indica os melhores caminhos, e proporciona-nos um amor verdadeiro e incondicional.

A Família

É logo no momento do nascimento que se dá a vinculação que permanece durante toda a vida e nos permite desenvolver e construir a nossa identidade. O vínculo mãe-bebé é fundamental no processo de desenvolvimento. Posteriormente, o próprio crescimento da criança encarrega-se de, na altura certa, quebrar esse vínculo promovendo assim um correto desenvolvimento linguístico, psíquico e cognitivo da criança.

A família pode ser vista como a primeira rede social da criança interferindo de forma direta no seu desenvolvimento quer da linguagem, quer global. Considerando-se a família um sistema relacional interdependente, complexo e articulado, será fácil compreender que tudo o que aconteça a um elemento deste sistema irá interferir de alguma forma com as vivências dos restantes elementos.

Contudo, e apesar de se considerar a família um grupo fechado, também ela é permeável a mudanças e terá de se adaptar à saída e entrada de novos elementos. Assim, sempre que existe a necessidade de acompanhamento da criança por parte de um terapeuta da fala ou outro técnico (psicólogo, educador, professor…) é necessário que a família se adapte a esta nova realidade para que possam trabalhar em equipa no sentido de todos contribuírem para o desenvolvimento das capacidades da criança.

QUAL A IMPORTÂNCIA DA RELAÇÃO PAIS-TERAPEUTA?

Uma vez que é em casa que as crianças passam a maior parte do seu tempo, torna-se fundamental o estabelecimento de uma parceria entre pais e terapeuta de forma a que se consigam atingir os objetivos de intervenção propostos. Desta forma, os pais deixam de ser meros “ajudantes” do terapeuta e passam a ser parte integrante do processo terapêutico.
Para que esta relação seja produtiva para o processo terapêutico é necessário que assente em dois princípios básicos: confiança e respeito mútuo.

É imprescindível que os pais se sintam à vontade com o terapeuta e confiem no trabalho que ele está a desenvolver. É fundamental a frontalidade para que, sempre que não se sintam esclarecidos acerca do trabalho que está a ser desenvolvido possam falar abertamente com o terapeuta e consigam esclarecer as suas dúvidas. Sempre que isto não acontece pode considerar-se que esta parceria traz resultados pouco produtivos ou até mesmo contraproducentes.

QUAIS AS VANTAGENS DESTA PARCERIA?

Vários estudos indicam que quando há um envolvimento dos pais, as crianças apresentam maior aproveitamento e desenvolvem melhor e mais rapidamente as suas capacidades intelectuais e comportamentais. Assim, pode-se constatar que esta relação entre pais e terapeuta trará benefícios para todos os envolvidos, tais como:

Vantagens para o terapeuta:

– Melhor compreensão das necessidades da criança e da família;
– Aquisição de dados mais completos em relação aos comportamentos da criança;
– Possibilidade de reforçar os comportamentos adequados em todos os contextos.

Vantagens para a família:

– Melhor compreensão das necessidades da criança e dos objetivos que estão a ser trabalhados;
– Mais informação relativa à forma como o trabalho está a ser desenvolvido;
– Maior troca de experiências e melhor compreensão da dinâmica da terapia.

Vantagens para a criança:

– Melhor consistência entre o trabalho realizado em casa e na terapia;
– Aumento das oportunidades de aprender e crescer;
– Acesso a melhores serviços.

COMO POSSO AJUDAR O MEU FILHO?

A ajuda dada pela família em casa (pais, irmãos, avós…) tem como principal finalidade encorajar a criança, guiá-la, ouvi-la e premiá-la pelos resultados obtidos. Não cabe aos pais ensinarem aquilo que compete ao terapeuta, contudo a função dos pais será de reforçarem os comportamentos ensinados para que se dê a aprendizagem.

Assim, a família pode participar no processo terapêutico de várias formas, tais como:

– Acompanhar a criança nas tarefas e trabalhos sugeridos pelo terapeuta;
– Verificar se os trabalhos sugeridos pelo terapeuta foram realizados;
– Estabelecer períodos de trabalho em casa para trabalhar os objetivos de acordo com o que está a ser desenvolvido na terapia;
– Informar-se sobre o que está a ser realizado na terapia (conversa com o terapeuta ou participação numa sessão).

Atualmente, na sociedade em que vivemos, os pais cada vez têm menos tempo para ajudar os filhos nas suas tarefas, contudo está provado que é necessário o envolvimento e comprometimento de toda a família juntamente com o terapeuta para que possa haver uma mudança de comportamento e, assim, a criança possa superar as suas dificuldade e evoluir de forma saudável.